Luz da Tarde
Os raios leves do sol da tarde
Entraram pela janela, em silêncio e calma,
Tocaram meu rosto com doce alarde
E acenderam um brilho na minha alma.
A alma antes tão carregada
Foi se abrindo em pura leveza,
Como brisa suave e encantada,
Semeando no peito a beleza.
O coração, tão cheio de apreensão,
Marcava o rosto em sombra e dor.
A mente em turbilhão, sem direção,
Não encontrava alívio e frescor.
O medo de ver quem amo sofrer,
A angústia de não poder proteger,
O amor que tudo quer abraçar,
Mas nem sempre se pode amparar.
Então, teu espírito vem me tocar,
E como vento que tudo acalma,
Fez o temor, enfim, se dissipar
E trouxe paz de volta à minha alma.
Eu sei — tu me amas, e isso me basta,
Teu amor é abrigo, é luz que guia.
Nenhum mal maior me desgasta,
Pois em ti, renasce a minha alegria.
Olho agora a noite a se anunciar,
Com sua singela e serena beleza.
E compreendo, sem precisar falar:
Tiveste comigo em toda minha certeza.
E amanhã, quando o sol despontar,
Em novo dia que vai florescer,
Saberei, antes mesmo de acordar,
Que contigo, outra vez, vou renascer.
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